sábado, 22 de setembro de 2012

A brisa.


Uma varanda
. Ali o tijolo à vista envernizado usado no chão da uma refrescância aos pés descalços inigualável. É claro que aparece uma dupla de crianças correndo pelo gramado extenso à frente, enquanto o gato simplesmente se banha, estarrado no piso gelado. O par de chinelos continua ao lado da porta, simplesmente intocado. É mais gostoso andar descalço naquele calor infernal. Ela dorme na rede de madeira num balancê quase hipnótico, enquanto ele volta da cozinha com um copo de suco pingando de gelado. O anel na sua mão tilinta levemente no vidro. Os sons do almoço ainda ecoam na sua cabeça por algum motivo. O riscar dos talheres nos pratos. As crianças decidiram deitar na grama e gargalhar. Aquilo deixa um sorriso inconsciente nos lábios dele. Preferindo sentar na escada que leva ao gramado, ele sente a grama nos dedos descalços e suspira, quase que agradecendo por aquilo. Uma brisa balança as pequenas folhagens próximas, sem contudo criar qualquer tipo de ruído. O silêncio é tão interno quanto externo. O gato se levanta se esfrega nas costas dele, pedindo um pouco de atenção. Ele faz um pouco de carinho no gato, e o bichano simplesmente perde o interesse, tão rápido quanto criou.
Ele ri. Sozinho. Porque o mundo, as pessoas, as coisas... são todos dessa forma. Vêm. Vão.

Um comentário:

  1. Eu não diria que as coisas vêm e vão, e sim que elas sempre estão indo apenas... Às vezes cruzam o nosso caminho e continuam, assim, se vão. Às vezes são distantes e paralelas essas tais projeções (entre pessoas e "coisas"), fazendo com que nunca se encontrem em vida, de fato...
    Mas pode ser que duas coisas se encontrem e tenham o ângulo entre as projeções de seus movimentos tão pequeno, que, em quanto vivas (e quem sabe muito além disso ainda) andam juntas, tais como a paralelas só que traçando histórias que, mesmo sendo histórias "diferentes", dispõem do mesmo espaço e tempo, criando um constante movimento harmônico que consegue trazer a sensação de prova empírica (e ilusão) que nem tudo se vai.
    Ir e vir é muito relativo, porém simples... Talvez o difícil seja lidar com tanta simplicidade.

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